Unplaned Love



Última atualização: 03/03/2026
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— Eu não posso perder a minha bolsa de atletismo, meus pais me matariam! Aliás, eu mesmo me mato, se isso acontecer!
— Ei, vai com calma queridão! — Youngjae passou um dos braços pelos ombros de Jayb, enquanto eles caminhavam de encontro aos outros amigos. — Você só precisa estudar, ué.
“Você só precisa estudar” — Jayb imitou desajeitadamente o amigo, que riu e depois lhe deu um peteleco na cabeça. — Eu estudo, mas com o campeonato de atletismo se aproximando a minha cabeça só pensa nisso, e eu nada entra.
— Já tentou aulas de reforço? Aquela garota super nerd do curso de física tem alguns anúncios espalhados por aí oferecendo aulas de reforço para os alunos de qualquer curso. Dizem que ela ganha uma boa grana com essas aulas.
— Nerd do curso de física? Nunca ouvi falar dessa querida, acho que nunca vi nenhum anúncio.
— Claro, você só pensa em atletismo e líderes de torcida, ou qualquer mulher que cruze o seu caminho.
— Não fala assim, eu quase me sinto mal Youngjae!

Os dois terminaram de chegar até o restante dos amigos, que logo perceberam a cara de preocupado de Jayb.

— Comeu e não gostou, foi? — BamBam perguntou enquanto terminava de ajeitar o próprio cabelo na câmera do celular.
— Não começa BamBam, eu estou com a corda no pescoço, isso sim.
— Então desembucha… — Jinyoung apressou.
— Estou correndo o risco de perder minha bolsa de atletismo por causa das minhas notas que estão em queda livre.

Jackson foi o primeiro a reagir, soltando uma risada curta, incrédula.

— Espera… você pode perder a bolsa? O capitão do time? Isso sim é um plot twist.
Mark franziu levemente o cenho, cruzando os braços.

— Isso é sério, Jayb? A bolsa não era condicionada a um mínimo de média?

Jay B passou a mão pelos cabelos, visivelmente irritado.

— Era. É. E eu tô abaixo do que eles exigem.

BamBam finalmente baixou o celular, arregalando os olhos.

— Tá brincando. Sem bolsa você tá basicamente morto. Seus pais não iam surtar, iam enlouquecer.

Yugyeom, que até então só ouvia, deixou escapar um “caramba” baixinho.

— Mas… não tem como recuperar? Tipo, prova extra? Trabalho?
— Só se eu melhorar agora — Jay B respondeu, a voz mais baixa. — Se eu reprovar em Física e Estatística, acabou.

O sorriso de Jackson desapareceu.

— Ok, isso ficou sério rápido demais.

Jinyoung respirou fundo, ajeitando a alça da mochila no ombro.

— Então você precisa de alguém que realmente saiba ensinar. Não adianta fingir que vai estudar sozinho.

Youngjae apontou com o queixo para Jay B, como quem diz eu avisei.

— Foi o que eu disse. A nerd da Física.

Jay B bufou, cruzando os braços.

— Vocês falam como se fosse fácil chegar numa garota que provavelmente me odeia só de olhar.

Mark inclinou levemente a cabeça, pensativo.

— Ela não vai te ajudar se você tratar isso como brincadeira. Você vai ter que engolir o orgulho.

BamBam sorriu de canto, malicioso.

— Quero só ver o bad boy popular implorando ajuda pra nerd. Isso eu pago pra assistir.
— Cala a boca — Jay B retrucou, mas um sorriso nervoso escapou. — Se for isso ou perder tudo… eu imploro.

Jinyoung assentiu, sério.

— Então decide logo. Porque o semestre não vai esperar você ganhar medalha nenhuma.

O silêncio que se instalou deixou claro para todos: dessa vez, Jay B não estava fugindo — ele estava com medo.

🙈🙉🙊


Ele pigarrou, uma, duas, três vezes e nada. Jayb bufou alto e então falou:

— Vai mesmo ignorar a minha presença? Você é a primeira garota que faz isso, sabia?

apenas ergueu uma sobrancelha, franzindo o cenho e nada disse. Não se mexeu. Não moveu um músculo.
Jayb voltou a bufar e então tirou a mochila das costas, deixando-a cair no gramado. Nem o barulho da mesma caindo ao solo fez se mover, nem um milímetro. Ele se sentou ao lado dela, fechando seu notebook com força.

— Pronto, agora pode me dar atenção?
inspirou fundo antes de finalmente virar o rosto em direção a ele. O olhar era calmo, analítico, como se estivesse avaliando um problema matemático complexo — e Jay B tivesse acabado de errar a fórmula básica.

— Você fechou o meu notebook — ela disse, num tom baixo, mas firme. — E interrompeu meu raciocínio. Então não, eu não posso te dar atenção agora.

Jay B piscou algumas vezes, claramente pego de surpresa.

— Seu notebook? — Ele franziu o cenho. — Eu achei que fosse o meu…
— Claro que achou — respondeu, estendendo a mão com paciência contida. — Pessoas como você costumam achar muitas coisas sem confirmar.

Ele engoliu em seco, passando a mão pela nuca antes de devolver o notebook para ela.

— Tá… desculpa. Mas você também não precisava fingir que eu não existo.

Ela abriu o computador novamente, os dedos ágeis voltando ao teclado.

— Eu não fingi. Eu estava ocupada.
— Ocupada me ignorando? — ele provocou, cruzando os braços.

suspirou, fechando os olhos por um breve segundo, como quem decide se vale ou não gastar energia.

— Ignorar exige intenção. Você simplesmente não era prioridade.

Aquilo acertou Jay B em cheio. Ele abriu a boca para responder, mas nenhuma frase saiu. Em vez disso, soltou uma risada incrédula.

— Uau… ninguém nunca falou assim comigo.

Ela não desviou o olhar da tela.

— Considere isso uma experiência educacional.

O silêncio se instalou entre eles, quebrado apenas pelo som distante do campus e pelo digitar constante de . Jay B se remexeu no lugar, desconfortável.

— Tá, olha… — Ele pigarreou de novo, agora mais baixo. — Eu preciso da sua ajuda.

finalmente parou de digitar. Virou-se para ele com calma, apoiando o cotovelo no joelho.

— Com o quê?

Jay B respirou fundo, o orgulho claramente sendo engolido.

— Física. E Estatística. Se eu reprovar… eu perco minha bolsa.

O olhar dela suavizou por um milésimo de segundo — quase imperceptível — antes de voltar à neutralidade.

— E por que eu ajudaria alguém que interrompe, invade espaço e fecha notebooks alheios?

Ele a encarou, sério agora.

— Porque eu vou me esforçar. De verdade.

inclinou levemente a cabeça, estudando-o como se ele fosse, ironicamente, o experimento.

— Então comece assim — ela disse, fria. — Não gritando. E não exigindo atenção.

Jay B assentiu devagar.

— Certo… .

Ela arqueou a sobrancelha. — Vejo que você ao menos sabe meu nome.

— Tô tentando aprender — ele respondeu, quase num sussurro.

E, pela primeira vez desde que ele se sentara ali, não voltou imediatamente para o notebook.




Jinyoung estava sentado de forma impecável, coluna ereta, camisa social bagunçada demais para quem ainda era estudante. Folheava um prontuário com atenção excessiva, como se o papel fosse mais confiável do que qualquer pessoa ao redor.

— Você pode parar de franzir a testa — a voz dela surgiu calma, atrás dele. — O caso não vai fugir.

Ele ergueu os olhos lentamente, encontrando um rosto tranquilo, mas atento demais. Aqueles olhos não o analisavam como cliente, nem como colega — o observavam como pessoa.

— Eu não estou franzindo — respondeu, seco.

Ela sorriu de canto.

— Está sim. É uma defesa clássica.

Jinyoung fechou a pasta com cuidado.

— E você seria…?
— Psicologia — ela estendeu a mão. — Estou aqui para a escuta inicial. Você é do Direito, certo?
— Dá pra perceber?
— Pela rigidez — ela respondeu com naturalidade. — E pela forma como você segura a caneta como se fosse uma arma.

Ele ficou em silêncio por um instante. Ninguém nunca havia o lido com tanta facilidade.

— Psicologia é sempre assim? — perguntou. — Vocês diagnosticam pessoas em cinco segundos?
— Não — ela respondeu, sentando-se à frente dele. — Só as que levantam muralhas altas demais.

Jinyoung desviou o olhar pela primeira vez.

— Eu não levanto muralhas.

Ela apoiou o queixo na mão, tranquila.

— Levanta sim. Mas são bem construídas.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi… novo.
Quando o coordenador chamou pelo próximo atendimento, Jinyoung se levantou, ajeitando o paletó.

— Prazer — disse, formal. — Jinyoung.

Ela sorriu, suave.

— Eu sei.

Ele parou no meio do passo.

— Como?
— Você tem seu nome bordado na pasta.

Ele olhou para baixo, frustrado.
Ela riu baixinho.

— Relaxa, futuro advogado. Aqui não é um tribunal.

E, pela primeira vez naquele dia, Jinyoung sorriu de verdade.

🙈🙉🙊


— Se você se deixasse levar pelos sentimentos que parece ter guardados aí dentro, que rumo sua vida teria tomado?

Jinyoung franziu o cenho com a pergunta repentina e inesperada da então colega de aula e bufou.

— Sou alvo de algum estudo de caso agora? Não tô entendendo.

A futura psicóloga riu, jogando a cabeça para trás, e Jinyoung se pegou gostando do som que a risada dela fazia.

— Só uma pergunta contemplativa, não precisa me responder. É mais forte que eu falar essas coisas quando percebo um potencial paciente. Sabia que nosso curso oferece terapia de graça aos alunos da faculdade?

Jinyoung abriu a boca, completamente incrédulo. Ela estava sugerindo que ele precisava de tratamento? Era isso mesmo? Que audacioso da parte dela, mexer com um advogado.

— Você está dizendo que tenho cara de maluco?

Ela revirou os olhos.

— Você é daqueles que pensam que terapia é só para quem tem algum transtorno grave e é considerado “maluco” pela sociedade? — Ela fez aspas com os dedos e balançou a cabeça. — Eu esperava mais de você, senhor advogado. Me pareceu muito esclarecido, mas me enganei. Vou embora.

Ela se levantou do degrau na arquibancada em que estavam sentados, mas ele a segurou pelo pulso de forma impulsiva, quase desesperada.

— Não! Espera. — Ofegou levemente quando os olhos dela encontraram os seus.
— Mas a aula já acabou, agora eu preciso ir para a clínica, apoiar meus pacientes malucos… — Ela deixou um sorrisinho pequeno escapar e olhou para a mão dele em seu pulso. — A propósito sou .

Ela ergueu a mão na direção da dele e segurou seu pulso, obrigando delicadamente Jinyoung a soltá-la. O que fez suas bochechas enrubescer automaticamente ao se lembrar que ainda a segurava.

— Me desculpe, eu sei que não é gente maluca que faz terapia. Eu fui ignorante. Viu? Eu sei perder.

alargou o sorriso nos lábios e ajeitou o material no peito.

— Está dizendo isso por estar a fim de mim. Não quer que eu vá ainda.

Jinyoung piscou os olhos, arregalando-os em seguida. A boca dele ficou seca, então umedeceu os lábios com a língua. Ela era boa.

— E-eu? A fim de v-você? — Gaguejou como há muito tempo não fazia. — De onde você tirou isso? Só quero me desculpar por ter sido ignorante.
— Gaguejando senhor advogado? — ergueu uma sobrancelha, divertida.

Jinyoung fez um belo e adorável bico. Ela havia vencido, por ora.

— Bom, se quiser falar comigo ou me chamar para um encontro eu estou na clínica. Acredito que você não saiba onde é, mas fica próximo ao vestiário onde seu amigo capitão do time troca de roupa e se banha depois dos treinos, não tem erro.
— Como você sabe tudo sobre mim? Tô achando que quem está a fim de mim é a senhorita…

Jinyoung ousou brincar e então fez menção de também se levantar.
deu de ombros.

— Tenta a sorte senhor advogado!

E então ela saiu. Deixando-o em pé e totalmente sem palavras ou argumentos pela primeira vez.

🙈🙉🙊


— Flores, BamBam? — Yugyeom pegou as mesmas das mãos de Jinyoung. Observou o buquê com atenção exagerada. — Desde quando o Jinyoung virou esse tipo de cara?

BamBam se inclinou por cima do ombro de Yugyeom, analisando também.

— Tá brincando… — estreitou os olhos. — Isso é romântico. Tipo… assustadoramente romântico. Ele precisa perder o BV.

Jinyoung pigarreou, ajeitando o colarinho da camisa.

— Não são flores românticas. São só… apropriadas.

— Aham — Jackson apareceu do nada, arrancando uma das hastes do buquê. — Apropriadas. Claro. — Ele leu o pequeno cartão preso ao papel pardo. — “Para alguém que observa além do óbvio.”
— Nossa — BamBam levou a mão ao peito. — Ele tá apaixonado.
— Não estou — Jinyoung respondeu rápido demais.

Yugyeom voltou a olhar para as flores, agora com mais atenção.

— Ok, mas explica isso aqui então. — ergueu o buquê. — Margaridas brancas, lavanda e… íris?

Jinyoung desviou o olhar.

— As íris representam sabedoria e comunicação — ele disse, num tom quase defensivo. — E a lavanda ajuda a acalmar. Psicologia gosta dessas coisas.
— Ele pesquisou — Jackson concluiu, sorrindo de lado. — Pesquisou flores.

BamBam riu, cruzando os braços.

— E as margaridas?
— Simplicidade — Jinyoung respondeu, agora mais baixo. — E sinceridade.

O grupo ficou em silêncio por um breve segundo.

— Ok — Youngjae finalmente falou. — Isso foi… fofo demais.

Jinyoung fechou os olhos por um instante.

— Eu só não quero parecer um idiota quando aparecer na clínica.

Yugyeom devolveu o buquê às mãos dele, sorrindo.

— Relaxa, hyung. Se ela é metade do que você descreveu… vai gostar.

Jinyoung olhou para as flores mais uma vez, respirou fundo e assentiu.

— Espero que sim.

E, pela primeira vez, ele não estava se preparando para um debate — estava se preparando para sentir.




A lesão no tornozelo de Yugyeom não poderia ter vindo em pior hora: o festival de dança organizado pela faculdade seria dali a duas semanas. E pela expressão da aluna de Fisioterapia designada para atendê-lo nas sessões marcadas pela própria universidade, ele tinha grandes chances de não se recuperar a tempo de dançar.
pediu que ele se sentasse um pouco mais ereto e avaliou sua postura impecável.
“Deve ser coisa de bailarino.” pensou antes de segurar a perna dele com firmeza.

— Vamos começar com alguns exercícios simples, ok? — subiu os olhos para encarar os olhos pequenos de Yugyeom.

Eles eram intensos. E a encaravam de volta, sustentando seu olhar.

— Não precisa pegar leve comigo. Eu sou forte, aguento os exercícios mais pesados, preciso voltar a andar normalmente o mais rápido o possível.

suspirou pesadamente pelo nariz e soltou pela boca. Ele estava impaciente.

— Eu entendo Kim. Mas eu não posso começar com exercícios muito intensos, sua lesão não foi completamente curada ainda. Não quer piorar ao invés de melhorar, quer?

Yugyeom revirou os olhos, inevitavelmente e involuntariamente. Depois se desculpou:

— Me desculpe, é que estou um pouco desesperado. Gostaria muito de participar desse festival. É uma grande chance de conseguir contratos com companhias grandes de dança.

não o repreendeu. Não levantou a voz, não fez anotações apressadas. Apenas afrouxou levemente o aperto em sua perna, como se aquele gesto fosse suficiente para acalmá-lo.

— Eu sei — ela disse, num tom baixo, sincero. — Dá pra ver o quanto isso é importante pra você.

Yugyeom a encarou, surpreso. Não havia julgamento ali. Só atenção.

se agachou à frente dele, ficando na mesma altura de seus olhos.

— Mas me escuta, tá? — pediu, gentil. — Seu corpo não é descartável. Ele é… seu instrumento. Se você força agora, pode até dançar nesse festival. Mas talvez não dance em nenhum outro depois.

As palavras o atingiram mais forte do que qualquer bronca.

— Eu não tinha pensado assim — murmurou.

Ela sorriu pequeno, reconfortante.

— É por isso que você dança e eu cuido de quem dança.

voltou a segurar seu tornozelo, agora com mais cuidado.

— Vamos fazer direito. Um passo de cada vez. Eu prometo que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance pra te colocar de volta no palco — mas só se você prometer confiar em mim.

Yugyeom respirou fundo, assentindo devagar.

— Eu confio.

O sorriso dela cresceu um pouco mais.

— Ótimo. Então começa assim — ela disse, posicionando corretamente o pé dele. — Relaxa. Eu tô aqui.

E, pela primeira vez desde a lesão, Yugyeom sentiu que talvez ainda houvesse tempo.

— Se doer, você me avisa na hora, tá? — disse, olhando para ele por cima dos cílios. — Não precisa ser forte o tempo todo.

Ele assentiu, engolindo em seco.

— Eu não gosto de decepcionar as pessoas — confessou, a voz mais baixa.

sorriu, daquele jeito que parecia aquecer o ambiente inteiro.

— Então começa não se decepcionando com você mesmo.

Ela ajustou a faixa de compressão com delicadeza, os dedos roçando sua pele por um segundo a mais do que o necessário.

— A gente vai chegar lá — garantiu. — No seu tempo.

Yugyeom relaxou os ombros, finalmente.

— Obrigado… .

Ela ergueu o olhar, surpresa ao ouvir o próprio nome daquele jeito.
v — Imagina, não precisa me agradecer Kim.

🙈🙉🙊


Nada de silêncio quando se tratava dos amigos. Yugyeom sentia a cabeça doer junto com a lesão. Eles estavam eu seu apartamento, já que ele vinha tendo dificuldades para andar por longos períodos.
Os sete eram família um do outro. Os pais deles não moravam em Nova Iorque; eles eram todos asiáticos que haviam se mudado para os Estados Unidos para estudar, em busca do chamado “sonho americano”.
Conheceram-se na faculdade e logo se tornaram inseparáveis. A cultura em comum os uniu primeiro; depois vieram as afinidades, o carinho — e, com o tempo, tornaram-se família.
Yugyeom era o mais novo deles, então os rapazes faziam questão de cuidar dele com o maior afinco possível. Yugyeom não parecia ser o mais novo quando alguém olhava para eles, e ele tenta parecer forte o tempo todo, mas os amigos sabem que ele é o mais sensível e vulnerável entre eles.

— Como foi a primeira sessão de fisioterapia? — Youngjae perguntou depois de se jogar ao lado dele no sofá.

Os amigos pararam os assuntos aleatórios para prestar atenção na resposta do maknae.

Yugyeom sorriu involuntariamente ao se lembrar de . De como ela o tratou com empatia e até um certo carinho. Da forma como ela parecia ser delicada e forte ao mesmo tempo. Dos olhos grandes dela encontrando os seus durante os exercícios, do toque firme dela em sua panturrilha…

— Iiiiih! Tá sorrindo! Esse sorrisinho eu conheço. — BamBam começou a rir, puxando os amigos para zoarem juntos.
— Tá apaixonado pela fisioterapeuta? Já, Yugyeom? — Jinyoung entrou na onda, sem saber que é claro, sobraria para ele.

Jackson segurou seu ombro, se aproximando:

— Você está apaixonado pela psicóloga e ainda nem teve seu primeiro encontro com ela. Não pode zoar o Gyeom. — Jackson piscou para Jinyoung.

As bochechas do quase advogado começaram a ficar vermelhas, assim como suas orelhas.

— É diferente. — Ele rebateu.
— Diferente porque? Ambos se apaixonaram à primeira vista. — Mark deu de ombros.
— Ei! — Yugyeom protestou. — Eu não me apaixonei, ok? Só sorri porque me lembrei do empenho dela em fazer eu me recuperar o mais rápido o possível.

Os amigos se entreolharam e Jayb foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Vocês precisam aprender comigo a pegar e não se apegar, mas se apaixonam logo no primeiro olhar. Tsc! — Ele fez um muxoxo com os lábios e viu o olhar dos amigos se voltarem para ele. — O que? Vocês vão me julgar agora?

Jinyoung cruzou os braços abaixo do peito, analisando o amigo com a cara de desdém de sempre.

— A gente sempre julga, você que ignora nossos julgamentos.

Os amigos — menos Jayb, riram do argumento de Jinyoung.

— Por isso você faz faculdade de direito! — Yugyeom gargalhou, jogando a cabeça para trás.
— A sua fioterapeuta é quem? O Jayb já passou o rodo pele curso de fisioterapia, talvez ele já tenha dado uns pegas na sua fisioterapeuta.! — BamBam levantou a questão e os amigos ficaram calados novamente.

Yugyeom direcionou os olhos para Jayb, que ficou levemente vermelho.

— Isso é verdade! Peguei noventa por cento das estudantes do curso de fisioterapia! — Ele disse, orgulhoso.

Yugyeom engoliu seco. Será que e Jayb já haviam ficado?

— É a Harrington, a ruiva.

Jayb franziu o cenho, juntando as sobrancelhas, buscando na memória o nome Harrington. Uma lembrança veio à mente.

Harrington, a baixinha? — Jayb mediu o ar com a mão, como se desenhasse a altura dela ali mesmo, abrindo um meio sorriso.
— Ela mesma… — Yugyeom confirmou, esperançoso de que ela e o amigo nunca tivessem se cruzado.
— Já nos beijamos sim! Em alguma festinha dessas ai. — Jayb deu de ombros, como se não fosse nada demais.

O silêncio caiu pesado na sala.
Yugyeom mudou o semblante na hora, ficando mais sério. O que não passou despercebido pelos amigos, que o zoaram.

— Vai pegar baba do Jayb hyung! — Jackson gargalhou alto junto dos amigos.
— Eu não estou interessado na , ela só está me ajudando com a fisioterapia. Vocês já podem parar com toda essa palhaçada.

Os amigos voltaram a se entreolhar.

— Então porque essa cara amarrada? — Mark perguntou com um sorrisinho enviesado.
— Que cara? — Yugyeom olhou para Mark, com o mesmo semblante de quando ouviu a confirmação de Jayb sobre o tal beijo. Sério, carrancudo.

As gargalhadas voltaram a ecoar pela sala, inclusive a de Jayb, que tentou — sem sucesso — segurar o riso.

— Cara foi há séculos atrás, ela nem deve lembrar disso. Foi um beijo desses de festa universitária.
— Eu não tenho nada haver com isso, hyung. — Yugyeom, emburrado, deu de ombros.

Jayb suspirou pesadamente.

— Isso não precisa ser um impedimento Yugyeom. Você ainda pode ficar com ela, ora bolas.

Yugyeom umedeceu os lábios.

— Eu já disse que não estou a fim dela.
— Ok! — Jayb deu de ombros. — Você precisa focar na sua recuperação, tenho certeza que se conseguir se recuperar a tempo, sua bolsa na Broadway Dance Center está garantida.
— Com certeza! Um bailarino como você, eles certamente vão querer no time! — BamBam elogia.

Os amigos concordam com elogios e incentivos, percebendo o semblante de Yugyeom suavizar aos poucos.

— Broadway Dance Center? Vocês acham mesmo que estou à altura?
Pffft! Por favor Yugyeom! Você é o melhor bailarino do curso, é claro que uma das bolsas vai ser sua. — Youngjae lhe apertou os ombros.

Yugyeom respirou fundo. O peso no peito — aquele que não vinha apenas da lesão — pareceu aliviar um pouco. Talvez eles estivessem certos. Talvez ele ainda tivesse uma chance.

— Eu só… não quero perder isso. — confessou, a voz mais baixa do que pretendia. — Dançar é tudo o que eu sei fazer.
— E é exatamente por isso que você não vai perder. — Mark respondeu, simples e direto.

O silêncio que se seguiu dessa vez não foi pesado. Foi confortável. Familiar.
Yugyeom encostou-se no sofá, fechando os olhos por alguns segundos. A dor no tornozelo pulsava de leve, mas outra imagem insistiu em atravessar seus pensamentos: mãos firmes, voz calma, olhos atentos demais para alguém que só “cumpria um protocolo”.
.

Ele abriu os olhos no mesmo instante, quase irritado consigo mesmo.
Foco, repetiu mentalmente. Recuperação. Dança.
Ainda assim, enquanto os amigos voltavam a conversar entre si, Yugyeom percebeu que, pela primeira vez desde a lesão, não estava pensando apenas no palco — mas também na próxima sessão de fisioterapia.
E isso o deixou estranhamente inquieto.



Continua...



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Nota da autora: Oi chuhus! Cheguei com Jinyoung e Iris e Yugyeom e Ellie, gostaram?








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